Vitória Diogo considera a emancipação da mulher encorajadora, apesar de lenta

A ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Vitória Dias Diogo, afirmou esta Quinta-Feira, em Maputo, que a emancipação da mulher, em diferentes sectores da vida, está a acontecer de forma encorajadora, não obstante o passo lento com que o processo decorre, relativamente ao seu directo parceiro, o homem.

Vitória Diogo falava na abertura do Fórum  “Aumentar a liderança e oportunidades para a mulher moçambicana”, organizado pela organização feminina de empreendedoras moçambicanas New Faces, New Voices Moçambique (novas caras, novas vozes), em parceria com o Alto Comissariado da Austrália em Moçambique, cujo objectivo era de reflectir em torno das barreiras que ainda persistem no avanço das mulheres no campo sócio-económico, em algumas situações mesmo se encontrando em pé de igualdade com os homens ou de liderança.

Nessa perspectiva, a governante sublinhou que a evolução não está a acontecer naturalmente. Adiantando que o processo de emancipação, participação, inclusão e empoderamento da mulher é lento e, vezes sem conta, influenciado por factores endógenos e exógenos. É um teste permanente da capacidade de perseverança e resiliência tanto da mulher como do homem.

Apontou a educação e formação como sendo a base para o acesso a oportunidades e opções de vida, tanto para o homem, como para a mulher. Por essa razão, disse, no actual Programa de Governação o desenvolvimento do capital humano é um dos pilares prioritários, com o compromisso de assegurar que a formação esteja assente em padrões de competência que impulsionem o empreendedorismo e a equidade de género.

O empreendedorismo, recordou a ministra às mulheres empreendedoras e empresárias filiadas na New Faces, New Voices, algumas delas ex-bolseiras na Austrália, não é e nem deve ser apenas uma exigência para o sucesso no sector privado, mas sim tem e deve ser parte do ingrediente do nosso ADN/DNA, onde quer que estejam: na família, na repartição duma instituição do Estado, na plataforma de uma fábrica, na academia, na sala de aulas, na banca onde tem um pequeno negócio, entre outros.

Considerou que educar uma mulher é educar uma família, é educar uma comunidade, é educar uma sociedade. É verdadeiramente educar uma nação. Falando como membro do actual governo, disse que assegurar o acesso e manter a rapariga na escola continua a ser prioridade. Por isso, progressos assinaláveis têm-se registado no país nos domínios de equidade no ensino primário, secundário e superior. Contudo, ainda se registam grandes desafios nos domínios técnico-profissionais.

Falando do terceiro pilar do Programa Quinquenal do Governo“Promover o emprego e melhorar a produtividade e a competitividade”, Vitória Diogo disse que este demonstra o nosso entendimento sobre a transversalidade do emprego e da clareza de que os empregos são gerados através da estabilidade macroeconómica e da simplificação de procedimentos administrativos, sendo importante que o Governo harmonize políticas e estratégias e adopte reformas tendentes a estimular este desiderato. Por isso, não é por acaso que o Governo aprovou a Estratégia de Reforma e Desenvolvimento da Administração Pública, a Estratégia de Combate a Corrupção, a Estratégia de Melhoria do Ambiente de Negócios para além de adequação de diversa legislação.

Deu como exemplo o crescimento económico sustentável e inclusivo, cujo elemento-chave é a geração de mais postos de trabalho, que constitui um imperativo na Governação para a redução da pobreza. Por isso se justifica a existência de uma Política de Emprego que harmonize as abordagens sectoriais e articule com clareza as medidas estratégicas de promoção de emprego. O nosso país já tem pela primeira vez uma proposta de Política de Emprego, fruto de um amplo processo de auscultação, levando-a a acreditar que se trata de uma política feita por moçambicanos para moçambicanos e em prol do desenvolvimento de Moçambique.

Diogo anunciou outras medidas que visam o aumento de empregos no país, justificando que tal também deve ser acompanhado por um aumento da produção, produtividade e competitividade, que são o cerne da nossa Governação, pois o acesso ao trabalho é um direito universal, sendo também uma das faces visíveis da distribuição da riqueza. Infelizmente, lamentou a governante, a face da mulher não brilha tanto, quanto quando se fala de acesso a riqueza.

Aproveitou-se da ocasião para sublinhar que com vista a melhoria da empregabilidade dos moçambicanos e dos jovens em especial, o Governo tem estado a implementar medidas que incentivam o aumento da produção e produtividade em todos os sectores, com destaque para a agricultura com o programa de mecanização agrícola, bem como a transformação da agricultura de subsistência para agricultura comercial e tendo em conta que absorve cerca de 70% da força laboral.

Também apontou o turismo, a indústria hoteleira e artística, dadas as potencialidades que o país oferece e como um dos sectores que cria à sua volta uma cadeia de valor e gerador de postos de trabalho directos e indirectos. O desenvolvimento da indústria extractiva, como sector âncora, que se assume veículo estruturante e dinamizador de outros sectores de actividade económica, gerando um número significativo de postos de trabalho indirectos.

Razão pela qual, explicou, ao se abordar a temática sobre mulheres e emprego, não se pode contornar as medidas activas de promoção de emprego que concorrem para o aumento das condições de empregabilidade, como são os casos da distribuição de kits para os melhores formandos, sendo um indicador importante de incentivo a mritocracia, a colocação de unidades móveis de formação profissional para as zonas rurais, possibilitando que mais raparigas tenham acesso a cursos tradicionalmente considerados masculinos e a promoção de estágios pré-profissionais.

Deparando-se com a presença de empresários e dirigentes do ramo empresarial, a ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social endereçou um convite a estes para que abrissem as suas portas e aceitar os graduados para a realização de estágios pré-profissionais, recordando que se trata de um investimento no capital humano e é um veículo para a descoberta de talentos.