Vitória Diogo defende empregabilidade segura na CPLP

A actual dinâmica do mercado de trabalho exige dos profissionais uma permanente auto-superação, tendo em conta a conquista da confiança e de competências profissionais, bem como outros valores, de forma a garantir uma empregabilidade segura, segundo defendeu a ministra do Trabalho, Emprego e Segurança Social, Vitória Dias Diogo, esta Quinta-Feira em Maputo.

Diogo falava em torno do tema “Empregabilidade e a Visão da CPLP em relação ao Profissional do Secretariado”, numa palestra organizada pela Associação das Secretárias de Moçambique (ASSEMO), no âmbito da Conferência Internacional dos Profissionais do Secretariado da CPLP e do Seminário Nacional da ASSEMO, que vinha decorrendo esta semana na cidade de Maputo, reunindo os secretários e as secretárias da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Dirigindo-se aos participantes, a ministra disse que, hoje em dia, as empresas e as organizações, face à competitividade do mundo globalizado no mercado dos produtos, ao desenvolverem constantemente novas estratégias e métodos de trabalho capazes de lhes proporcionar retornos aceitáveis dos seus investimentos, exigem dos trabalhadores uma nova postura, não só, no que respeita à qualificação profissional ou académica, mas também no que se refere à atitude e valores.

Isto, prosseguiu, faz com que elas precisem de indivíduos voltados para o futuro, que procurem adquirir competências que inspirem desafios a si próprios e aos empregadores, ou seja, indivíduos que lutem por ser sempre empregáveis e comprometidos com a visão, missão e valores da Organização.

Quando se fala de empregabilidade, como conceito e como nova maneira de ser e de estar, é preciso sublinhar que ela envolve um conjunto de pré-requisitos necessários para que o indivíduo se torne atractivo no mercado, pois, para se ser empregável deve combinar a formação, as competências (habilidades de comunicação oral e escrita), a capacidade de lidar com as pessoas, utilização de recursos tecnológicos, associada à capacidade de se ser empreendedor, investindo na aprendizagem permanente, no autoconhecimento e avaliando em cada momento, os seus pontos fortes e as fragilidades.

Nessa óptica, os valores, os princípios éticos e a cultura de trabalho e de integridade são alguns dos principais ingredientes para a empregabilidade, indo até ao equilíbrio emocional e saúde física e mental, a polivalência, auto-motivação e orientação para o futuro, que também não devem ser deixados de lado.

A governante observou que um profissional idóneo e honesto, que administra sua vida e seu trabalho dentro dos princípios legais e éticos, terá sempre a seu favor a boa referência, a admiração e a confiança de outras pessoas, o que pode contribuir para proporcionar segurança e garantia de empregabilidade.

Indo directamente ao espaço da CPLP, Vitória Diogo explicou que, nos dias que correm, o profissional de secretariado é um dos colaboradores mais próximos do centro decisório em qualquer instituição, o que lhe deve proporcionar uma visão geral da cultura da empresa, tal como acontece no mundo em geral, não sendo por isso diferente para este bloco comunitário.

Para a governante moçambicana, como visão comum dos países da CPLP pode apontar-se a necessidade em apostar no ensino técnico-profissional, por se reconhecer ser estratégico para o desenvolvimento dos respectivos povos e para o reforço da sua presença no mundo, que é cada vez mais globalizado e competitivo.

Isto porque a educação profissional promove o acesso universal à educação e a qualificação técnica de quadros, com conhecimentos teóricos e práticos e, em simultâneo, desenvolve capacidades orientadas para no futuro saber adaptar-se e agir perante novos desafios profissionais. Esta foi uma das conclusões saídas da I Reunião Extraordinária de Ministros da CPLP, realizada em Díli, em Abril de 2015. 

Tomando como exemplo o seu país, Moçambique, Vitória Diogo disse que foi definida a educação e a formação vocacional e técnico-profissional como prioridades para o desenvolvimento, razão pela qual no segundo pilar do Programa de governação, “Desenvolvimento do Capital Humano”, está assumido como uma das grandes apostas, o firme compromisso de assegurar aos cidadãos uma educação profissional de qualidade, assente em padrões de competências e na formação vocacional do capital humano, como forma de contribuir para incentivar o empreendedorismo, a inovação e a empregabilidade.

Foi nesse prisma que alertou que, tendo em conta o mercado laboral cada vez mais competitivo, há uma necessidade dos profissionais do secretariado da CPLP de estarem dotados de capacidades e habilidades técnico-profissionais que os permitam competir em pé de igualdade com outros da região e do resto do mundo.

Nos tempos que correm e num mundo cada vez mais globalizado, o papel do profissional do secretariado combina a imagem e a competência. Uma imagem que valorize a importância estratégica desta profissão, desconstruindo a dicotomia outrora existente na sociedade de alguém em que o que mais contava era o aspecto exterior, sem muita criatividade. Evoluiu-se para um patamar mais alto em que se combina uma complexidade de factores que envolvem sensibilidade, tacto, diplomacia, profissionalismo, dedicação, celeridade, urbanidade, articulação, civismo, aprumo, etc.

Hoje, concluiu a governante, um secretário deve e tem de ser visto para além da mera actividade imediata que é, administrativa, significando que deve ser alguém que exerce uma profissão que está baseada em conhecimentos técnicos e capaz de contribuir para a criação de uma cultura organizacional atractiva. Alguém com capacidade de fazer fluir a informação na organização e que tem noção do poder que exerce, um poder que lhe permite rapidamente se ajustar aos sinais do mercado e de gerir e transformar objectivos e estratégias, visando obter vantagens em mercados cada vez mais competitivos.

Resumidamente, disse, deve ser alguém que, para ter sucesso, tem de se preocupar com o que fazer, para que fazer, quando fazer, porque fazer e como fazer. A Conferência de Maputo decorreu sob o lema “Por um secretariado inclusivo e dinâmico, orientado ao desenvolvimento da CPLP”.